ESPECIALISTA OU GENERALISTA
Como se situar na avalanche da informação


Thursday, January 17, 2002  


ESPECIALISTA OU GENERALISTA ?


“...nós seremos superados em todas as áreas por futuras máquinas superinteligentes, e estaremos excluídos de todos os desenvolvimentos (tecnológicos) realmente interessantes, a menos que, pessoal e intimamente, estejamos ao par das tecnologias do pensamento.” - Hans Moravec.



Num mundo onde a informação explodiu de modo incontrolável, o ser humano se vê a braços com um dilema básico: como agir na vida – ser um especialista, aprofundado em um só assunto (um monomata) ou ser um generalista, versado em muitos assuntos (um polímata), mas sem maior profundidade em cada um deles?

Ser um especialista significa estar focado em determinado ponto do conhecimento humano, aprofundando verticalmente sua bagagem cultural. É ser o expert naquele assunto, aquele a quem todos consultam. Para conseguir esse status, ele reserva o seu tempo livre para aprender cada vez mais sobre aquele assunto, mesmo que isso signifique alhear-se dos demais ramos do conhecimento.

Por outro lado, um polímata procura vasculhar toda a infosfera humana e dela extrair o leque de assuntos que mais lhe interessa, e todas as ligações com os demais campos, que possam levar à sinergia de pensamento.

Um exemplo concreto: a Ciência do século XXI está se desenvolvendo em alguns ramos principais - a Modelagem Atômica (nanotecnologia), a Engenharia Genética, a Inteligência Artificial, a Física Quântica e a Computação Avançada (bioinformática inclusive).

Cada um desses campos possui ramificações, que constituem suas sub-especialidades. O polímata então se estenderá por todo o segmento da infosfera que abranja esses itens (que muitas vezes se entrelaçam e complementam) e irá delineando o seu campo de aquisição de conhecimento.

Não é necessário que ele mergulhe em cada ítem separadamente, apenas que ele saiba onde buscar a informação se, em dado momento, precisar se aprofundar.

Já é visível que defendo o campo do generalismo. Isto porque, numa infosfera onde a informação se multiplica exponencialmente, é preciso estar ao par de pelo menos uma fração razoável do conhecimento acumulado, para que não nos tornemos tecnologicamente obsoletos.

Porém, há um senão. Sendo o volume de informação tão grande, torna-se cada vez mais difícil absorvê-lo através dos métodos comuns (leitura, audiovisual). O nosso hardware cerebral é orgânico e, portanto, lento. Somente uma tecnologia mais avançada (por exemplo, o download direto da informação no cérebro, previsto para estar disponível em 2020) poderá acelerar esse passo.

Até lá, é melhor agirmos como generalistas e procurar enxergar o máximo que pudermos da copa da Árvore do Conhecimento, ao invés de nos concentrarmos em uma única folha.

NOTAS IMPORTANTES:





Memes – O zoólogo britânico Richard Dawkins criou o termo memes (memory genes) para designar o gene das idéias.

Assim como os genes se propagam através dos corpos (humanos) por todo o planeta, os memes, idéias de cada ser humano, se propagam oralmente, através de jornais, livros, revistas, TV, Internet, rádio, etc...

Sendo sua difusão feita à velocidade da luz (no caso da Web, rádio e TV), os memes se difundem com muito mais rapidez no pool cerebral da Humanidade do que os genes nos cromossomos da população humana. São eles os responsáveis pela floração explosiva de idéias, agindo como sementes e catalisando as idéias num feedback positivo cada vez mais acelerado.




Informação – Há que ter em mente, porém, que o simples download da informação no cérebro não garantirá o sucesso de sua utilização pelo usuário, assim como a posse de um livro de Cálculo Avançado não faz de um estudante universitário um Leibnitz. É preciso que a arquitetura da mente do usuário esteja preparada para lidar eficientemente com o tipo de informação recebida.



Infosfera - É o conjunto de informações presente na sociedade humana, na forma oral, escrita, eletrônica, sonora, etc. Vivemos mergulhados 24 horas por dia nessa infosfera mas não o percebemos, tanto quanto um peixe não se dá conta do oceano em que está mergulhado.

posted by Ervin | 6:03 AM
 


ESPECIALISTA OU GENERALISTA ?


“...nós seremos superados em todas as áreas por futuras máquinas superinteligentes, e estaremos excluídos de todos os desenvolvimentos (tecnológicos) realmente interessantes, a menos que, pessoal e intimamente, estejamos ao par das tecnologias do pensamento.” - Hans Moravec.



Num mundo onde a informação explodiu de modo incontrolável, o ser humano se vê a braços com um dilema básico: como agir na vida – ser um especialista, aprofundado em um só assunto (um monomata) ou ser um generalista, versado em muitos assuntos (um polímata), mas sem maior profundidade em cada um deles?

Ser um especialista significa estar focado em determinado ponto do conhecimento humano, aprofundando verticalmente sua bagagem cultural. É ser o expert naquele assunto, aquele a quem todos consultam. Para conseguir esse status, ele reserva o seu tempo livre para aprender cada vez mais sobre aquele assunto, mesmo que isso signifique alhear-se dos demais ramos do conhecimento.

Por outro lado, um polímata procura vasculhar toda a infosfera humana e dela extrair o leque de assuntos que mais lhe interessa, e todas as ligações com os demais campos, que possam levar à sinergia de pensamento.

Um exemplo concreto: a Ciência do século XXI está se desenvolvendo em alguns ramos principais - a Modelagem Atômica (nanotecnologia), a Engenharia Genética, a Inteligência Artificial, a Física Quântica e a Computação Avançada (bioinformática inclusive).

Cada um desses campos possui ramificações, que constituem suas sub-especialidades. O polímata então se estenderá por todo o segmento da infosfera que abranja esses itens (que muitas vezes se entrelaçam e complementam) e irá delineando o seu campo de aquisição de conhecimento.

Não é necessário que ele mergulhe em cada ítem separadamente, apenas que ele saiba onde buscar a informação se, em dado momento, precisar se aprofundar.

Já é visível que defendo o campo do generalismo. Isto porque, numa infosfera onde a informação se multiplica exponencialmente, é preciso estar ao par de pelo menos uma fração razoável do conhecimento acumulado, para que não nos tornemos tecnologicamente obsoletos.

Porém, há um senão. Sendo o volume de informação tão grande, torna-se cada vez mais difícil absorvê-lo através dos métodos comuns (leitura, audiovisual). O nosso hardware cerebral é orgânico e, portanto, lento. Somente uma tecnologia mais avançada (por exemplo, o download direto da informação no cérebro, previsto para estar disponível em 2020) poderá acelerar esse passo.

Até lá, é melhor agirmos como generalistas e procurar enxergar o máximo que pudermos da copa da Árvore do Conhecimento, ao invés de nos concentrarmos em uma única folha.

NOTAS IMPORTANTES:





Memes – O zoólogo britânico Richard Dawkins criou o termo memes (memory genes) para designar o gene das idéias.

Assim como os genes se propagam através dos corpos (humanos) por todo o planeta, os memes, idéias de cada ser humano, se propagam oralmente, através de jornais, livros, revistas, TV, Internet, rádio, etc...

Sendo sua difusão feita à velocidade da luz (no caso da Web, rádio e TV), os memes se difundem com muito mais rapidez no pool cerebral da Humanidade do que os genes nos cromossomos da população humana. São eles os responsáveis pela floração explosiva de idéias, agindo como sementes e catalisando as idéias num feedback positivo cada vez mais acelerado.




Informação – Há que ter em mente, porém, que o simples download da informação no cérebro não garantirá o sucesso de sua utilização pelo usuário, assim como a posse de um livro de Cálculo Avançado não faz de um estudante universitário um Leibnitz. É preciso que a arquitetura da mente do usuário esteja preparada para lidar eficientemente com o tipo de informação recebida.



Infosfera - É o conjunto de informações presente na sociedade humana, na forma oral, escrita, eletrônica, sonora, etc. Vivemos mergulhados 24 horas por dia nessa infosfera mas não o percebemos, tanto quanto um peixe não se dá conta do oceano em que está mergulhado.

posted by Ervin | 5:55 AM
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